quarta-feira, 22 de abril de 2009

Memórias de infância: O mestre Martinho







Memórias de infância: 'Não há gente cm'a gente!'

“Não há gente como a gente/ Honesta e hospitaleira/ Desde o nosso continente/ Aos Açores e à Madeira...”. A canção é do cantor luso-americano Jorge Ferreira e teve inspiração numa figura popularíssima da Ribeira da Janela, o emigrante na Venezuela, João de Gouveia, também conhecido por 'João da Ribeira'.
Reza a história que, após um espectáculo, em Caracas, João de Gouveia abraçou Jorge Ferreira e exclamou: “NÃO HÁ GENTE COMO A GENTE !”. A canção e o álbum de 1988 foi um enorme sucesso.
Efectivamente a canção "Não há gente como a gente" (There Aren't Any People Like Us) teve a sua origem em tal abordagem a Jorge Ferreira. Quando chegou Jorge Ferreira, o Sr. João, no meio de uma conversa, disse ao cantor: 'Não há gente como a gente, Jorge!'. Daí tirou inspiração para fazer a canção.
São 3 minutos de 17 segundos de homenagem à gente da nossa terra.
Posteriormente, a frase “NÃO HÁ GENTE COMO A GENTE” foi adoptada, designadamente pela claque do CD Nacional. Mas a genuína está na Ribeira da Janela. E para fazer a diferença (até foram mandadas fazer T-Shirts's pelo também emigrante da Ribeira da Janela na Venezuela, Antonino de Ponte) adoptou-se por mais genuína a frase que só a oralidade consegue pronunciar: “Não há gente c'ma gente!”.

Memórias de infância: A Igreja




A Ribeira da Janela teve uma primitiva ermida que já existia em 1558 e que, segundo a tradição, foi levada por uma aluvião. Sem qualquer capela para celebrarem ofícios divinos, os seus habitantes viam-se privados das práticas religiosas por não poderem transpor, no Inverno, o caudaloso curso de água para assistirem à missa no Porto Moniz.
Nos finais de Seiscentos, o Povo ergueu uma capela num sítio mais resguardado com a mesma invocação, ou seja, Nossa Senhora da Encarnação. Em 1731, os moradores fizeram uma petição ao Rei para que fosse nomeado um pároco para essa igreja.
Com a criação do Curato, em 1733, esta ermida foi tendo sucessivas ampliações. As obras de maior vulto verificaram-se a partir de 1889, data em que os moradores fizeram nova petição ao Rei no sentido de receberem um subsídio para a sua Igreja.
Diz o 'Elucidário Madeirense' que dá-se a capela de Nossa Senhora da Incarnação como fundada em 1630 por António Fernandes e Manuel Rodrigues, que eram ali moradores, dizendo-se que alguns anos depois foi destruída por uma grande aluvião.
É certo, porém, à vista de documentos, que a capela foi edificada pelo povo em 1699, sendo de 7 de Setembro deste ano a data da respectiva dotação. Será uma reedificação ou a construção primitiva? Não sabemos, mas inclinamo-nos a crer que o ano de 1699 é o da primeira edificação.
Em 1754, foi a ermida acrescentada, sendo concedida licença para a sua bênção a 28 de Abril do dito ano.
No ano de 1852, foram dadas de arrematação as obras da edificação duma nova igreja, pela importância de 6.1100$000 réis, mas não chegaram a ser iniciados os trabalhos de construção. No último quartel do século XIX é que o pequeno templo passou por uma grande transformação. Foi convertido em capela-mor, acrescentando-se-lhe o corpo da igreja, tendo-se dado por terminados os respectivos trabalhos no ano de 1874.
Sobre o pórtico, lê-se a seguinte inscrição: 'Feita pelo povo e dirigida pelo Pe. Pombo' em 1879. Para esta importante obra muito concorreram o pároco de então padre Manuel da Silva Pombo, o Dr. João Barbosa de Matos e Câmara e José Teixeira Rebêlo, proprietário nesta freguesia e representante duma nobre e antiga família, que aqui possuiu terras vinculadas.
No ano de 1922, procedeu-se nesta igreja a novas e importantes reparações, devidas às diligências do pároco, o padre Manuel Vasconcelos da Incarnação (1921).Foi servida esta capela por um capelão privativo até que o prelado diocesano D. Fr. Manuel Coutinho; por provisão de 25 de Setembro de 1726, estabeleceu nela um curato provisório, que teve a sua criação efectiva por alvará régio de 4 de Fevereiro de 1733, dizendo-se nesse diploma que fora criado a requerimento do vigário do Porto Moniz, Paulo Vieira Jardim, e arbitrando-se ao cura o vencimento anual duma pipa e meia de vinho e um moio e meio de trigo.
Era um curato dependente da vigairaria do Porto do Moniz, mas que, como outros curatos da Diocese do Funchal se foi gradualmente libertando da igreja matriz e passou a constituir uma paróquia autónoma. 0 primeiro sacerdote que aqui exerceu funções paroquiais foi o padre Inácio de Aguiar Sequeira.
São estas as principais solenidades religiosas:
25 DE MARÇO
Festa de Nossa Senhora da Encarnação: É uma das duas vezes no ano em que a Ribeira da Janela festeja a sua padroeira. A festa de Nossa Senhora da Encarnação realiza-se precisamente nove meses antes do Natal, neste importante arraial da freguesia.
11 E 12 DE AGOSTO
Festa do Santíssimo Sacramento: Uma das características principais desta festa é ter um tapete de flores, feito pelos populares e com cerca de 200 metros, que se estende desde a porta da igreja até aos Casais de Cima. É uma das festas mais participadas da freguesia, porque também coincide com a época de férias. A beleza do tapete de flores é elogiada por todos.
30 E 31 DE AGOSTO
Nossa Senhora da Encarnação: Esta festa realiza-se em honra da padroeira da freguesia. O curioso é que a Ribeira da Janela assinala duas vezes a sua padroeira. Uma no último fim-de-semana de Agosto e outra a 25 de Março, o dia oficial da de Nossa Senhora da Encarnação.
As romagens de Natal são outra característica genética da religiosidade da freguesia.

terça-feira, 21 de abril de 2009

O 'Tiradentes'


O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, vai ser distinguido com a Medalha Tiradentes.
Tiradentes é a alcunha pela qual ficou conhecido Joaquim José da Silva Xavier, mártir da Inconfidência Mineira e herói nacional do Brasil.
Tiradentes lutou pela independência do Brasil, num período em que país sofria o domínio e a exploração de Portugal.
O Brasil não tinha uma Constituição, direitos de desenvolver indústrias em seu território e o povo sofria com os altos impostos cobrados pela metrópole.
Nas regiões mineradoras, o quinto (imposto pago sobre o ouro) e a derrama causavam revolta na população.
O movimento da Inconfidência Mineira, liderado por Tiradentes, pretendia transformar o Brasil numa república independente de Portugal.
Tiradentes era um excelente comunicador e orador. Tiradentes foi condenado à forca.
Foi executado em 21 de Abril de 1792, faz hoje anos.
Partes do seu corpo foram expostas em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. A sua casa foi queimada e seus bens confiscados.
Qualquer coincidência entre o homem da homenagem e o homenageado é mera coincidência...

Que grandes 'trapalhadas'




1.ª trapalhada:
Soma e segue a 'trapalhada' do 8.º lugar atribuído ao PSD-M nas listas do PSD nacional às eleições europeias de 7 de Junho. Uma bronca que piora à medida que vamos conhecendo novos dados sobre o tema.
Primeiro foi a ida a Lisboa de Alberto João que falou à chegada na qualidade de presidente do Governo (tinha carro oficial à porta do aeroporto) mas tinha ido a Lisboa tratar de assuntos partidários (o lugar do PSD-M na lista).
Depois foi a surrealista explicação dada pelo líder do PSD-M (às portas da Quinta Vigia... Não devia ser às portas da Rua dos Netos?) sobre o 8.º lugar que era 6.º porque as quotas femininas e tal e tal... Uma explicação de mau gosto, a roçar o machismo provinciano dos descamisados rurais, de onde se infere que as mulheres servem para compor o ramalhete. Uma trapalhada. Conversa que seria para Vilão consumir!
Depois foi a 'nega' de Sérgio Marques (não sei se orquestrada ou não) e o anúncio meteórico do não menos meteórico substituto, Nuno Teixeira. Nuno que tem qualidades mas não ao ponto de ombrear com a experiência e o traquejo, por exemplo de Emanuel Jardim Fernandes ou de outros ex-eurodeputados, casos de Rui Vieira ou Virgílio Pereira. O tempo não é de 'desmamar' novos políticos...
Finalmente, a trapalhada que envolve Guilherme Silva e a manchete do 'Público'. Prova de que a história das quotas era para consumo regional e não nacional. Daí as repercussões e os desmentidos após a manchete. Com uma outra trapalhada pelo meio. Foi o adjunto da presidência do Governo (quando o assunto é partidário) a vir ontem emitir um comunicado sobre o tema. Está tudo às avessas!
2.ª trapalhada:
Soma e segue a trapalhada no partido que era da Rua do Surdo e agora é da Alfândega. Primeiro foram os afastamentos compulsivos de Victor Freitas e Jaime Leandro dos cargos dirigentes. Um afastamento nebuloso que nunca foi explicado nem pelos próprios nem pelo líder do partido, João Carlos Gouveia.
Depois foi a trapalhada da demissão de André Escórcio da liderança do grupo parlamentar, 55 dias (leu bem, 55 dias) após ter aceite o cargo. Reconheço em André Escórcio muitas qualidades mas a estabilidade não é uma delas.
Depois é o líder do partido com um discurso 'meio tonto' segundo o qual o tempo não é de desunião mas de união. Um discurso vazia porque resvala na carapaça da indiferença, no seio de um partido onde a desunião (as facções) sempre foram a imagem genética.

domingo, 19 de abril de 2009

Candidato que já foi

Algo vai mal no reino do PSD-M!
Este homem era candidato ao PE e deixou de o ser numa tarde/noite.
Só porque não se conformou com o 8.º lugar que negociaram por ele.
A 'treta' das quotas femininas não passa disso mesmo ...TRETA.
Ele merecia um lugar mais acima na lista e, por isso, bateu com a porta.
Era mais cómodo aceitar caladinho mas ele não fez isso.
Bateu o pé ao grande chefe.
Terá outras ambições?!
A ver vamos.
Para já fica o gesto.
Nem todos se resignam.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Somos pobres

Um estudo, da autoria de um membro do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal, Nuno Alves, é inequívoco nas conclusões, no que respeita à distribuição geográfica da pobreza em Portugal, nos anos de 2005/2006:
"Em termos de localização geográfica, as regiões com as mais altas taxas de pobreza são, por ordem decrescente, a Madeira, os Açores e o Alentejo. A região de Lisboa e o Algarve apresentam consistentemente as mais baixas taxas de pobreza de Portugal".
O estudo considera uma pessoa pobre se, num determinado período, o seu nível de rendimento (despesa) for inferior a 60 por cento do rendimento (despesa) médio de Portugal.
as taxas de pobreza na Madeira variam entre os 23 e os 35 por cento de pobres, se tivermos em conta o rendimento monetário ou a despesa excluindo as rendas. Quanto à despesa total, na Região os pobres situam-se nos 29 por cento.

Comentário: Por cá continuamos a assobiar para o lado.
O secretário dos Assuntos sociais desvaloriza os números.