quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O pior cego é o que não quer ver










Ontem, na Assembleia Regional, o Sr. Deputado do PSD-Madeira declarou esta coisa espantosa a roçar o autismo:
"Não há extracções de inertes dentro das ribeiras".
O grupo parlamentar do PSD--Madeira reagiu assim à proposta do PCP de criar uma comissão de inquérito para apurar alegadas ilegalidades que estão a ser praticadas no leito das ribeiras da Madeira, principalmente no Faial.
No intervalo da sessão plenária, o deputado Rui Moisés esclareceu que o que existe na ribeira é uma central de britagem que está devidamente licenciada e não pedreiras, como foi anunciado pelos deputados comunistas.
Aliás, Rui Moisés assegurou que neste momento a Secretaria Regional de Equipamento Social não emitiu nenhuma licença para extracção de inertes nas ribeiras.
"Neste momento, qualquer extracção feita dentro do leito da ribeira não está autorizada", explicou o deputado.
Rui Moisés apelou ainda à denúncia das pedreiras ilegais, porque os técnicos existentes são poucos, devido aos contragimentos financeiros.
Comentário: O pior cego é o que não quer ver!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Prima-dona

Registei a antecipação de Sua Excelência o Presidente do Governo Regional (e/ou do PSD-Madeira!) mas continuo sem perceber porque carga de água o secretário-geral do PSD, Marques Guedes e sua comitiva merece honras de almoçar na Quinta Vigia quando veio à Região tratar de assuntos meramente partidários...

Não é a primeira vez que isto acontece. Já ocorreu, por exemplo, com Santana Lopes... e com o grupo parlamentar do PSD-M (e só esse).


Na minha modesta opinião, se calhar o almoço deveria ter sido na Rua dos Netos ou na CEMA (Centro de Conferências e Exposições da Madeira)! Ou então num dos muitos restaurantes do Funchal.

Quem pagou a conta?! Alguma prima-dona social-democrata ou o erário?!

Em bom rigor, chama-se a isto peculato... de uso.

Fica a dúvida!


E ainda há lata de dizer que o Governo Central confunde o partido com o Estado!

Dia Mundial da Terceira Idade

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Terceira Idade, proclamado pelas Nações Unidas como forma de chamar a atenção do Mundo para a situação financeira, social e afectiva em que se vive nessa faixa etária. Apenas uma pequenissima parcela da população idosa aufere rendimentos suficientes para levar uma existência minimamente aceitável.
A maioria, infelizmente, passa bastantes dificuldades, competindo aos filhos suprir as necessidades económicas dos pais quando estes atingem uma idade avançada e, sobretudo, distribuir-lhes carinho idêntico àquele que deles receberam enquanto foram jovens.
Socialmente, nada há mais triste que abandonar idosos em lares (e nos hospitais), não permitindo a cooperação e a partilha de saberes entre as diferentes gerações.
Conta-se que, há muitos anos, numa terra longínqua, sempre que alguém atingia uma idade avançada, o seu filho entregava-lhe um cobertor e abandonava-o num monte, onde ficava a aguardar a morte.
Certo dia, um idoso, ao chegar a sua vez de ser deixado no referido monte, devolveu o cobertor ao filho, dizendo-lhe: "fica com ele, assim já terás dois cobertores para te aqueceres quando também chegar a tua vez de para aqui vires".
Só então o filho se apercebeu de quão terrível era aquele costume e trouxe o pai de volta ao seio familiar.

Fica a lição!!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Nova espécie


O geólogo Raimundo Quintal, dirigente da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal, fez-nos chegar este fim de semana uma informação importante:
Num dos percursos pedestres realizados pela Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal com vista à sensibilização e à descoberta da Natureza foi literalmente descoberta uma nova espécie.
No percurso realizado a 06 de Outubro de 2007, três dos associados - Tânia Freitas, Luiz Franquinho e Emanuel Rocha - encontraram, entre o Pico das Pedras e a Cova da Roda, no concelho de Santana, um curioso fungo que lhes suscitou uma atenção especial.
Os Amigos, dedicados estudiosos do mundo dos fungos, nunca tinham visto no meio natural e nos livros outro cogumelo com aquela morfologia.
Depois de fotografado, foi colhido e enviado para análise a um micólogo de renome internacional, o Professor Francisco de Diego Calonge, do Real Jardim Botânico de Madrid.
Aquele investigador concluiu tratar-se duma espécie nova para a ciência, tendo-lhe atribuído o nome de 'Phallus maderensis'.
A sua descrição taxonómica e as fotografias foram publicadas no boletim da Sociedade Micológica de Madrid (nº 32, de Setembro de 2008).
Um hino à virilidade madeirense!
Mais uma exportação de inteligência!

Frase do dia

"There is no way to Love, Love is the way"

Vá para dentro cá fora

Reparei bem recentemente que nas caixas Multibanco, há uma campanha promocional da Madeira com a frase "ponha aqui o seu pezinho".

A frase seria óptima não fosse ela uma referência... dos Açores.

Enão não conhecem a canção:

Ponha aqui o seu pezinho
devagar, devagarinho
Se vai á ribeira grande
Eu tenho uma carta escrita
para ti cara bonita
não tenho por quem na mande.

Eu fui de Lisboa a Sintra (Grande referência à Madeira)
à casa da tia Jacinta
p'ra me fazer uns calções
mas a pobre criatura
esqueceu-se da abertura
para as minhas precisões.

Eu fui até Vila Franca (outra grande referência à Madeira)
encanchado numa tranca
à morte de uma galinha
o que ela tinha no papo
sete cães e um macaco
e um soldado da marinha.

Fui-me casar às Capelas (mais referências à Madeira)
por ser manco das canelas
c'uma mulher sem nariz.
Esta gente das Fajãs
já me deram parabéns
p'lo casamento que eu fiz.

Eu fui a Água de Pau (se ainda fosse Água de Pena?!)
ver se o vinho não era mau
sete vezes molhei o bico.
Diz-me lá tia Marta
se não foi nesta' freguesia
que a porca furou o pico.

Eu subi às Cumieiras (onde fica?!)
plantei umas figueiras
para figos apanhar.
Para fazer uma boda
com a minha gente toda
no dia em que me casar.

Minha sogra tem-me reixa
e de mim foi fazer queixa
à Vila da Povoação (só conheço a dos Açores)
por eu ter chamado à filha
papo seco de serrilha
bom petisco da manhã.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mais bicharada

Já aqui falei sobre as dez pragas do Egipto e sobre as palmeiras que estão a "morrer" de pé, nesta Região, designadamente em São Vicente.
Mais recentemente também aconteceu na frente mar de Câmara de Lobos.
A culpa (nem vou falar da 'culpa' humana!) é de um escaravelho.
Existem, pelo menos, cinco focos de escaravelhos considerados “mortais” para várias espécies de palmeiras.
A praga de insectos do grupo dos gorgulhos foi encontrada, no Verão de 2007, no Algarve.
Em finais de Setembro, a Direcção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) do Algarve voltou a detectar a presença de 'Rynchophorus Ferrugineus' (nome científico) em palmeiras no concelho de Albufeira, com dois focos, e no de Portimão, com três.
A espécie é maior do que a generalidade das espécies de gorgulhos presentes em Portugal e pode ter sido introduzida no país acidentalmente, através do comércio de plantas.
No caso da Madeira, não é preciso ser bruxo para adivinhar quem é que encomendou palmeiras de grande porte.
Certo é que o combate com químicos (à semelhança dos mosquitos) não é totalmente eficaz, razão pela qual é difícil acabar com a praga.
Proveniente do sudeste asiático, o 'Rynchophorus Ferrugineus' tem uma preferência especial pela Palmeira das Canárias, muito comum em Portugal e Espanha.
A sua acção centra-se na base das folhas e interior do caule, e é especialmente preocupante porque bastam dois a três meses para que consiga secar uma árvore.
O problema adensa-se porque é difícil identificar a infestação antes de uma fase avançada. Acabada “a refeição”, o escaravelho asiático desloca-se para outras palmeiras nas proximidades, tendo por base o olfacto.
A praga foi detectada na zona de Alicante em 1995, e propagou-se no sul do país tendo provocado avultados prejuízos.
O combate à praga custou aos espanhóis cerca de 16 milhões de euros (Espera-se que, na Madeira, não sejam os Contribuintes a pagar a factura!).
Também desconheço se, no caso das palmeiras madeirenses importadas foram cumpridas as directivas da Comissão Europeia que, em Maio de 2007, publicou medidas de emergência, entre elas a obrigatoriedade de quarentena no país de origem (se for um país terceiro) durante um ano antes da importação, e de mais um ano no Estado receptor, para tentar evitar a propagação do escaravelho asiático.
Há bichos fantásticos, não há!