terça-feira, 15 de setembro de 2009

Memórias: Pau-branco para fusos

Tem o nome vulgar de pau-branco. O nome científico é 'Picconia excelsa' (Aiton). É uma árvore da família das 'Oleaceae'. Trata-se de uma espécie endémica da Macaronésia. Ocorre na Laurissilva madeirense na região central e a norte da Madeira, muitas vezes em ravinas e escarpas. Exemplares de pau-branco podem ser observados nas zonas mais recônditas da Ribeira da Janela onde bravos homens o iam buscar para fazer fusos.
O pau-branco chega a atingir 15 metros de altura, possui casca pálida e posição das folhas, caracteristicamente, oposta e alternada aos pares.
É uma espécie pouco abundante, ao abrigo dos estatutos atribuídos à floresta Laurissilva.
A sua madeira é extremamente rija e foi em tempos utilizada na construção de fusos de lagar.
Pau-branco é hoje nome de casa de turismo rural, no Porto Moniz.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Memórias: Pau-de-buxo



Hoje é pouco utilizado. Outrora, o arbusto era esventrado, sobretudo na Páscoa, para fazer piões. O pau de buxo é uma madeira dura. Boa para travincas ou chavelhas. Óptima para piões prontos a levar "ferroadas".
Com uma navalha faziam-se piões à nossa maneira. Alguns toscos outros mais torneados. Com jeitinho, o mestre Martinho, na Voltinha, até deixava usar o torno mecânico, para o tornear a jeito. E era o que calhava...pau de buxo era o ideal mas também o de laranjeira.
A pequenada entretinha-se a desbastar com um canivete o pau de buxo, até obter o pião ideal. Os artesãos, esses usam o pau de buxo para fazer colheres de pau que seriam usadas durante várias gerações para mexer e provar o tempero da comida. Com jeitinho, e se o pedaço de madeira desse, ainda se arranjava tempo para fazer umas “pucarinhas” em pau de buxo.
Os ramos mais esguios e direitos, cascados e polidos pelo o uso serviram de bengala a tanta gente. Até há quem faça flautas e clarinetes de pau de buxo mas isso era arte para outras mãos que não as da pequenada.
O buxo é uma árvore que se mantém sempre verde, e cuja madeira é muito dura. Pertence à família das Celastrináceas. As suas flores são verdes e as folhas lustrosas.
Os católicos utilizam os galhos dessa planta nas procissões do Domingo de Ramos.
A madeira é ainda empregue no fabrico de bolas de bilhar e de objectos de uso doméstico.
O buxo é uma planta utilizada muito em jardinagem para a construção de sebes porque suporta as podas e não perde a folhagem de inverno.
O buxo já foi utilizado em medicina popular como antipirético, mas esse uso é arriscado porque é uma planta altamente venenosa devido à presença de certos alcalóides.
Sob o ponto de vista humano, a sua principal utilização é como planta ornamental.

Memórias: Uveira-da-serra





A uveira-da-serra (Vaccinium padifolium) é um arbusto da família dasEricácias, que integra as associações arbustivas do último andarfitoclimático da Ilha da Madeira.
Para além de ser uma pioneira extraordinária no processo de recuperação da formação vegetal primitiva da cordilheira central, auveira-da-serra produz, em abundância, bagas ricas em vitamina A, compropriedades adstringentes, anti-inflamatórias e antioxidantes.
Estes "mirtilos" exclusivos da Madeira são bastante agradáveisquando consumidos frescos e produzem uma excelente compota, que, segundo atradição popular, deve ser usada contra a tosse e a gripe.
A população da Ribeira da Janela sabe que é possível conciliar de forma harmoniosa a conservação da Natureza com a apropriação dos seus recursos.
Desde pequeno aprendi a colher as bagas sem danificar as plantas, lavar os frutos para retirar impurezas e observar a cozedura e o processo de feitura da compota. A compota faz-se adicionado açúcar na proporção de um quilo de baga para meio quilo de açúcar.
Posso dizer-vos que os que nunca comeram "doce de uva-da-serra" ficarão surpreendidos com a
qualidade deste produto genuinamente madeirense.

nota: imagens da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Memórias: A "rocha do meio-dia"



Há na margem esquerda da Ribeira da Janela uma curiosa escarpa que dá pelo nome de "rocha do meio-dia". Em bom rigor, a rocha já está em território da freguesia vizinha do Porto Moniz mas toda a população da Ribeira da Janela dá de caras com ela porque fica "do outro lado" da ribeira.
Chama-se "rocha do meio-dia" porque a sua configuração em forma de vértice de um triângulo dá azo a que só ao meio-dia toda a superfície da rocha seja iluminada pelo sol. Ou seja, quando há sombra num dos lados significa que o Sol ainda não está a pique e que não é meio-dia.
Naturalmente que o meio-dia é da luz solar o que nem sempre coincide com o meio-dia do relógio.
Diria que a "rocha do meio-dia" é uma espécie de relógio da Sé natural, uma dádiva da natureza pela qual os agricultores se orienta(v)am.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Jardim e os 'espiões'

Não sei se foi do calor do Verão ou da calmaria do Porto Santo mas o Presidente do Governo Regional proibiu a 25 de Agosto último, por despacho, a assinatura de protocolos entre entidades regionais e os Serviços de Informações e Segurança (SIS) e de Informações Estratégicas de Defesa (SIED).
O despacho Nº 13/2009, com a data de 25 de Agosto e assinado na Ilha do Porto Santo, considera que "os Serviços, Institutos e Empresas Públicas sob tutela do Governo Regional, não são instituições do Estado".
O líder madeirense reagia desta forma a uma notícia do 'Correio da Manhã' (desmentida) que avançava que o SIS e o SIED se preparavam para colocar agentes em alguns Ministérios como forma de combater a criminalidade organizada e o crime financeiro.
"Antes que alguém se lembrasse de usar aqueles métodos nos serviços do Governo Regional eu cortei a questão", declarou Jardim.
Comentários:

1) Curiosa antecipação de Sua Excelência! Não queremos cá mais espiões dos que já existem. Na Quinta Vigia, nas empresas públicas, na Junta de Freguesia, na Casa do Povo, na Banda de Música, no Grupo Folclórico, na Comissão Política de bairro e afins....

2) Jardim acredita (será???) que nem os serviços de Estado, nem os da Região, nem mesmo os municipais “precisam de espiões”, porque considera Portugal um pais de “gente séria”, onde ninguém coloca a pátria em perigo. Será? Com certas atoardas? Tenho as minhas dúvidas?

3) E mais, tenho para mim que, por cá não há espiões políticos (ahahahaha...). Jardim anda reocupado sem razão: afinal não há espiões infiltrados na Madeira. E o despacho que lavrou partiu de uma informação errada pelo que não faz sentido.

4) Por cá não há criminalidade organizada nem crime financeiro (ihihihihih!....). TUDO BONS RAPAZES ou, como diria o grande chefe, "Máfia no bom sentido".

O grito do Ipiranga



Não sou xenófobo mas não concordo com "estrangeiros" a jogar na selecção de PORTUGAL. Deco, Pepe e Liedson nasceram no Brasil, não em terras Lusas.
E nem comparem o caso aos luso-africanos que jogaram na Selecção, caso do Grande Eusébio que nasceu em África. É que, nessa altura, o país onde nasceu Eusébio, era uma colónia portuguesa. Ora, que eu saiba o gripo do Ipiranga foi dado no Brasil há muito tempo (Acontecimento ocorrido a 7 de Setembro de 1822). Na altura, o príncipe português D. Pedro (o futuro D. Pedro IV), regente do Brasil, declarou o território definitivamente separado da metrópole, bradando "Independência ou morte!".
Agora sou eu a fazer este grito do Ipiranga: Mudem-se os regulamentos por forma a que só cidadãos NASCIDOS e não Naturalizados tenham direito a vestir a camisola Lusa. Custa assim tanto?!..

A propósito da remuneração dos magistrados...

O programa de Governo do PSD propõe que uma parte variável da remuneração dos magistrados seja fixada em função da sua produtividade.
Em tese, a avaliação qualitativa e quantitativa do desempenho dos magistrados (e de todos os funcionários públicos) deveria ser assim.
Contudo, não esqueçamos que estamos em PORTUGAL, com tudo o que isto quer dizer.
A remuneração por objectivos é uma intenção muito bonita mas que esbarra na realidade.
Quando se afirma que se quer "premiar o mérito" esquece-se de dizer quem o vai premiar, como, onde, quando e em que circunstâncias? Ou seja, está aberta a discricionaridade para premiar o demérito.
Diz-se que será o Conselho Superior da Magistratura (CSM) a premiar o mérito. Esse mesmo Conselho que exerce a competência disciplinar e que tem membros politicamente indicados.
Eu já nem vou pelo argumento da Associação Sindical dos Juízes (com o qual concordo) segundo o qual a quantidade funciona como um factor de pressão e pode ser inimiga da qualidade. Basta-me o bom senso para ver que a proposta do PSD é demagógica ou inexequível.
E o direito comparado, nesta matéria, nomeadamente em relação a Espanha, vai no sentido de me dar razão: a remuneração por objectivos está a ser questionada pelo Tribunal Constitucional de 'nuestros hermanos'.
E lembro aqui a Resolução da Associação Europeia de Magistrados, que durante a sua reunião de Vilnius, realizada em 20 de Maio de 2006, registou com preocupação, a introdução em algumas jurisdições de sistemas de remuneração dos magistrados com recurso a prémios de produtividade.
Lembro ainda que já existem outros mecanismos para abonar os magistrados como a remuneração por acumulação de funções e admito que haja uma diferenciação de remunerações por tipo de tribunal. É que há uns mais trabalhosos do que outros.
Definitivamente, a proposta de Manuela Ferreira Leite não lembra ao diabo!