quinta-feira, 9 de abril de 2009

Memórias de infância: Desnatadeira


Era nelas que se fazia a recolha da matéria-prima no campo. Na Ribeira da Janela, no meu tempo, havia duas, uma na Eira da Achada e outra nos Casais da Igreja. Os postos de recepção de leite (desnatadeiras) foram, entretanto, desactivadas.
Mas marcaram uma longa época de relação do homem da terra com a indústria. Aliás, foram sustento de precárias economias familiares que nem uma bilha poderiam dispensar. Aliás, quando, por infelicidade, alguém derramava uma bilha antes de chegar à desnatadeira era um 'rombo' no orçamento e não se livrava de levar uma sova ou uma resonda ao chegar a casa.
E mandava a tradição que o leite devia ser recolhido em bilhas. Depois seguia para a desnatadeira onde se extraia toda a gordura do leite antes de coalhar. Numa fase mais recente o leite era apenas 'triado' (consoante a qualidade) para sem enviado para fábrica.
Ainda me lembro da minha mãe ter regateado com quem produzia leite para, em vez de mandar todo para a desnatadeira, separar uma garrafinha (leiteiro) para os pequenos beberem. Eu próprio ia de leiteiro em punho buscá-lo. E ai de mim se o entornasse!
O ideal era leite de cabra mas, quando não havia, o de vaca servia na perfeição. Até o soro, às vezes, servia.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Memórias de infância: os filmes no salão


Ainda antes da televisão chegar à Ribeira da Janela chegaram os missionários Combonianos. Eram eles que traziam os filmes que 'prendiam' miúdos e graúdos à tela.
Efectivamente, entre as iniciativas missionárias dos sucessores de Daniel Comboni contava-se (e presumo que ainda se conta) com a projecção de filmes e slides educativos. Às vezes eram precedidos de palestras, debates ou exposições.
Normalmente eram uns senhores de barba comprida que os traziam ao salão paroquial. Mal acabava a missa, o padre encaminhava os fiéis para o salão para ver o filme.
Entre um passar de olhos pelas revistas ''Além Mar” e “Audácia” (também trazidas por eles), era um domingo diferente quando havia filmes. Era o nosso cinema embora na tela, normalmente, só passassem 'pretinhos' de terras de África desconhecidas.
Não perdíamos 'pitada' da montagem e desmontagem dos aparelhos (projectores). E a 'Audácia', revista editada pelos missionários combonianos e publicada desde Novembro de 1966, impressa em formato A5, as primeiras sem cor, traziam aventuras de outras terras, por exemplo de África, onde nunca estive.
Eram outros tempos. Mesmo antes do 'Inatel' ter feito o mesmo percurso pelas paróquias, embora com filmes mais laicos.
Hoje os missionários Combonianos já possuem um anal de vídeos no 'YouTube' (sítio de partilha de vídeos) e apresentam nesse espaço vídeos sobre o trabalho missionário pelo mundo.
Hoje têm estúdios de produção de TV-DVD em Itália onde produzem vídeos, CD's e DVD's.
Hoje como outrora, o trabalho de evangelização prossegue, embora com novos instrumentos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Bola na Sexta-feira Santa



Parece incrível mas é verdade.
Com tantos dias do ano para jogar
Com tantas paragens de campeonato para jogos da Taça da Liga, da Selecção e das competições europeias
...Alguém lembrou-se que ficava bem fazer um joguinha Sexta-feira Santa.
Ainda por cima na cidade portuguesa que mais vive a Páscoa.
É verdade, caro leitor, o Braga recebe o Marítimo na Sexta-feira Santa.
Não sou agoirento mas não me parece de bom tom.
Lembram-se da "rave" que queriam dar, há uns anos, na marina do Lugar de Baixo ...na Sexta-feira Santa?
Vejam as agruras e travessuras daquela infra-estrutura, desde a queda de pedras às ondas do mar!
Quem te avisa...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Atrasados

Se o 'JM' não andasse distraído já tinha reparado que o DIÁRIO deu a notícia do novo procurador no Tribunal Administrativo na passada Quinta-feira e não no Domingo como o 'JM' fez.
Além disso, o 'JM' labora num erro ao dizer "Madeirense fica à frente do Tribunal Administrativo". À Frente?!!

Memórias de infância: Apanhar lapas

É daquelas coisas que só os Ilhéus e os habitantes das zonas costeiras sabem apreciar.
Outrora com mais liberdade (no meu tempo de meninice), hoje com regras mais apertadas (a apanha das lapas está regulamentada).
E se há coisa que eu gostava de fazer era apanhar lapas na maré vazia. Sobretudo no Verão, no início de uma jornada de vindimas.
Era uma espécie de bálsamo (que nem o ter de acordar cedo ou a água fria importunava) antes das tarefas mais árduas. Era assim na boca da Ribeira, no Cantinho, Entre os Furados, na Cova da Enseada ou nas Contreiras. Sítios predilectos para a apanha da lapa.
A cevadeira (espécie de bolsa de serapilheira, a tiracolo), a lapeira (convinha não a afiar antes porque dava azar) eram os instrumentos necessários. Por vezes uma lanterna ajudada mas quem queria, também, apanhar caramujos convinha não a usar.
E a maneira que mais gostava de as comer eram cruas, apanhar e comer logo de seguida.
Não tinha tamanho, nem jeito nem equipamento para apanhar lapas de mergulho. Por isso, ficava-me pelo calhau e só me aventurava até um determinado sítio não viesse uma onda mais alterosa arranhar-me os tornozelos ou fazer mossa maior.
Há muitos espécies de lapas, umas apanham-se nas pedras do calhau, outras fixam-se nas pedras mais profundas.
Uma análise empírica diferencia as duas: As "pretas" mais à babuje, as "amarelas" mais dentro.
Por vezes, lá conseguíamos umas cracas e uns búzios.
Mas hoje, quero falar das Patellae (lapas).
Nem imaginam a emoção que era ir às lapas!
"Varrer" o calhau para as apanhar! Os mais velhos e afoitos pelo mar dentro e os mais novoas à babugem.
Juntar familiares, dois ou três amigos e percorrer o calhau.
Uns de meias, outros descalços, uns de boxers, outros de fato-de-banho, mas com uma coisa em comum… uma lapeira! As vezes eram facas partidas outras vezes feitas de arcos de pipas.
Todos ao mar e fé em Deus! Quem iria conseguir apanhar mais?
Ao fim de uma hora ou duas lá se abriam as cevadeiras para ver o resultado final.
Uns mais contentes do que outros.
Outros a lamentar-se que o mar levou uma boa 'maquia' que já havia sido apanhada.
No regresso a casa, havia duas tarefas: Uma era separar as lapas grandes (para grelhar) das pequenas (para arroz de lapas ou caldeiradas). A outra tarefa era cozer os caramujos em água a ferver. Depois era comê-los com os alfinetes que a mãe ia buscar aos artefactos da costura.
Valeram os corpos molhados, as unhas partidas, as pernas arranhadas e os bons momentos passados com familiares e amigos!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A 39.ª Comarca (Madeira) devia ser "piloto"



A reforma do mapa judiciário vai arrancar a 14 de Abril nas três comarcas piloto: Alentejo Litoral, Baixo Vouga e Lisboa Noroeste.

O período experimental do novo mapa judiciário, que organiza os actuais 231 tribunais de comarca em 39 circunscrições (uma dessas é a Madeira), vai durar dois anos, devendo a reforma estender-se ao resto do país em 2011.

O que me questiono é porque é que a Madeira não foi contemplada neste ensaio-piloto.

Por um lado porque temos todas as características (por sermos ilhéus) que encaixam no novo modelo.

Por outro lado, porque a nova organização judiciária (ao prever uma única comarca para a Madeira, embora sem fechar tribunais actualmente existentes) facilitaria o trabalhos aos operadores judiciários.

Fica aqui a sugestão para os políticos: Será que estamos perante mais uma retaliação do Governo da República?

Memórias de infância: Azeite de Louro

Desde há muitos anos que os loureiros começaram a despertar a curiosidade do povo madeirense. Na Ribeira da Janela também foi assim.
A utilização dos frutos do loureiro para o fabrico do conhecido azeite de louro foi resultado dessa curiosidade.
As bagas maduras, são recolhidas entre Setembro e Novembro. Lembro-me de, em pequeno, por uma vez ou outra, ter ido à serra colher o fruto para a minha tia fazer o azeite. Assim como ia colher a baga da uveira da serra (arbusto endémico da Madeira) com a qual se faz um excelente doce caseiro e que tem também propriedades medicinais.
A sabedoria popular diz que o azeite de louro é um “remédio milagroso”, pois cura quase todos os males, internos e externos, sobretudo cicatrizante, problemas de circulação sanguínea, casos de gangrena e do tétano, reumatismo, males de estômago, da garganta e do fígado.
Uma colher de azeite de louro, duas vezes por mês é óptima na prevenção de doenças cardio-vasculares. O azeite de louro é também usado para friccionar as articulações com o objectivo de diminuir as dores reumáticas.
As bagas do louro são também um dos alimentos preferidos do nosso pombo trocaz (Columba trocaz) que está a dar cabo das couves dos agricultores e das saborosas nêsperas.