segunda-feira, 8 de junho de 2009

Humor: Discursos (dos) políticos

Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:
- Compatriotas, companheiros, amigos!
Encontramo-nos aqui, convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida ou morte.
O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmara deste Município.

De repente, uma pessoa do público pergunta:
- Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa?

O candidato respondeu:
- Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que estão aqui; a terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele alcoólico, ali deitado na esquina.

De imediato, o alcoólico levanta-se a cambalear e 'atira':
- Senhor postulante, aspirante ou candidato: (hic) o facto, circunstância ou razão pela qual me encontro num estado etílico, alcoolizado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer que o meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasca (hic).
E com toda a reverência, estima ou respeito que o senhor me merece (hic) pode ir agrupando, reunindo ou juntando (hic) os seus haveres, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir direitinho (hic) à leviana da sua progenitora, à mundana da sua mãe biológica ou à puta que o pariu!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Memórias de infância: Óleo de fígado de bacalhau e outras 'curas'

Lembram-se do sabor do óleo de fígado de bacalhau? Intragável. Tão mau que deve ter deixado traumas em gerações de crianças que franziam a testa, tapavam o nariz e fechavam os olhos com aquela mistela acastanhada que nos obrigavam a beber.
Era, apenas, um dos muitos "remédios" tradicionais a que ninguém escapava. Até havia frascos recebidos na escola primária e destinados a serem bebidos em casa.
O óleo de fígado de bacalhau servia para abrir o apetite e era um complemento alimentar. Hoje já vendem o produto em pastilhas ou com sabor disfarçado por outros mais gostosos. É um bom estimulante do apetite, ajuda a regular os processos metabólicos sendo uma boa solução para obtenção de energia.
A tortura do óleo de fígado de bacalhau de outrora era apenas um dos muitos tormentos por que passaram os que hoje, como eu, entram na ternura dos quarenta. Havia todo o tipo de infusões, gemadas, chás e papas, para resolver as mais variadas maleitas. Da falta de apetite, das lombrigas, do "bucho virado" ou do "mau olhado".
Além de recorrerem aos médicos, que eram poucos e muito mal distribuídos pela Região, as mães eram fiéis aos ensinamentos dos "antigos", no que de bom e mau tinham. Do azeite louro para beber e para besuntar em feridas, da colher de mel fervida no fogão pela manhã.
Se uma criança não comia, tinha dores de barriga e começava a ficar amarela, o diagnóstico era rápido: bucho virado.
Sim, porque esta maleita estava, quase sempre, associada a uma muito maior: o mau olhado. Só tirado por uns poderes sobrenaturais e psicadélicos, detidos por vizinhos e até familiares que permitiam, com um simples olhar de cobiça, abalar a saúde, os estudos, o trabalho e muito mais.
Começava por ser feito o diagnóstico, o que muitas vezes acontecia em casa. Deitar pingos de azeite num copo de água era um teste de que não havia recurso. Se as gotas de azeite unissem, era certo que havia um "camadão de olhado".
Depois do diagnóstico vinha a terapia. Com um ramo de alecrim, umas cruzes e outros apetrechos, cuja função era insondável, o curandeiro começava uma cantiga para tirar o "mau olhado".
Curar do "mau olhado" era (e ainda é) uma arte, um dom que poucos tinham e de que alguns viviam.
Curioso é que não se ouvia uma voz contrária a estas práticas que não dependiam de condição social ou instrução. O que era preciso era "curar".
E muito havia para tratar, num tempo em que se comiam os frutos directamente das árvores e todo o tipo de porcarias. Uvas com remédio, nêsperas verdes e frutos silvestres faziam parte da dieta dos mais pequenos.
Além destas curas milagrosas, havia toda uma série de tratamentos, cada um mais curioso que o outro. As crianças que tinham sarampo - a quase totalidade -, além de ficarem na cama sem saber bem porquê, viam as janelas do seu quarto... forradas a vermelho.
Para a papeira, a solução era o tradicional lenço, amarado no topo da cabeça e que servia para segurar o queixo.
Até para as pequenas feridas se sugeria uma valente mijadela.
Havia até quem aconselhasse a colocação de "terra fininha" e teias de aranha sobre feridas. Escupo (cuspo) para impinjas.
A cinza também era usada em alguns casos. Principalmente para irritações da pele, muitas vezes associada a outras porcarias. Até caca de galinha, dar desterro a objectos pessoais depois de rezas e colocar miúdos descalços em pedras frias serenadas era prática. Para a pieira ou para outras doenças respiratórias como a asma.
Além das terapias, havia toda uma série de recomendações para evitar doenças. A mais comum até tinha algo de poético. Apontar para as estrelas condenava a criança ao aparecimento de verrugas nas mãos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Memórias de infância: Rocheiros

Quem nasceu na costa norte da Madeira, como eu, sabe o quanto foram importantes os rocheiros, profissão agora quase extinta. Restam resquícios, ainda que incomparáveis, dessa profissão que são os amantes do canyoning, quais rocheiros dos tempos modernos (abro parênteses para felicitar o Clube Naval do Seixal e a Câmara do Porto Moniz pela iniciativa de realizar entre os dias 5 e 12 de Junho, no Seixal, o Meeting Canyoning Madeira/ II Encontro Nacional de Canyoning).
Eram eles (rocheiros) que procediam ao desmantelamento de blocos de rocha em zonas inacessíveis que ameaçavam populações. Foram eles que, amarrados em cordas, em laços que só eles sabiam dar, às vezes com métodos arcaicos e sem capacete, contribuíram para 'rasgar' trilhos em falésias intransponíveis.
Mais recentemente, foram usados para procederem à limpeza de taludes sobranceiros a estradas. Creio, se a memória não me atraiçoa, que a Direcção Regional de Estradas tinha nos seus quadros o lugar de 'rocheiro'.
Não me refiro a outras memórias... à dos pescadores de Machico, Caniçal e São Gonçalo, também chamados 'rocheiros', homens que iam às Selvagens e se dedicavam a capturar cagarras antes destas poderem voar, por vezes mil por dia, que depois de depenadas e salgadas eram vendidas no Funchal às classes mais desfavorecidas.
Não me refiro à localidade brasileira de Rocheiros, no município de Teotônio Vilela.
Falo dos rocheiros da costa norte da Madeira. Caíam a pique, falésia abaixo, na vertigem libertadora da obra feita.
E todos quantos observam ou estudam a mecânica das rochas insulares, em comparação com os mais aperfeiçoados processos da mecânica e engenharia moderna, não podem deixar de pasmar das obras realizadas, em grandeza e temeridade, por rocheiros madeirenses.
A minha homenagem a esses homens tenebrosos (lembro-me do António Santos, da Ribeira da Janela) que desafiavam as falésias até para outros feitos menos terrenos mas igualmente nobres que era a recolha do alegra-campo, nas falésias, para enfeitar as festas de Verão.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Humor

Jesus Cristo, certo dia, cansado do tédio do Paraíso, resolveu voltar à terra para fazer o bem.
Procurou o melhor lugar para descer e optou pelo Hospital Central do Funchal, onde viu um médico a trabalhar há muitas horas e a morrer de cansaço.
Para não atrair as atenções, decidiu ir vestido de médico.
Jesus Cristo entrou de bata, passando pela fila de pacientes no corredor, até atingir o gabinete do médico.
Os pacientes viram e comentaram:
- Olha, vai mudar o turno...
Jesus Cristo entrou na sala e disse ao médico que podia sair, dado que ele mesmo iria assegurar o serviço.
E, decidido, gritou:
- O PRÓXIMO!
Entrou no gabinete um homem paraplégico que se deslocava numa cadeira de rodas.
Jesus Cristo levantou-se, olhou bem para o homem, e com a palma da mão direita sobre a sua cabeça disse:
- LEVANTA-TE E ANDA!
O homem levantou-se, andou e saiu do gabinete empurrando a cadeira de rodas.
Quando chegou ao corredor, o próximo da fila perguntou:
- Que tal é o medico novo?
Ele respondeu:
- Igualzinho aos outros... nem exames, nem análises, nem medicamentos... Nada! Só querem é despachar...

Memórias: 2009




Memórias: Verão de 1994


Memórias: A sinuoso estrada