sexta-feira, 20 de maio de 2011

Humor...

A jornalista tentava iniciar uma entrevista com um alentejano, que, minuciosamente estudava o firmamento, debaixo do chaparro.
A jornalista: Aquele monte além dá trigo?
O alentejano: Na dá nada...
A jornalista: E dá batata?
O alentejano: Na dá batata, não...
A jornalista: Então, dá centeio?
O alentejano: Na dá nada...
A jornalista: E semeando milho?
O alentejano: ÁÁÁHHHHHHH, semeando já é outra conversa...!!!

O que disse Saramago...

Face à presença do FMI, a troika externa, amparada pela troika interna, é altura de relembrar Cadernos de Lanzarote:

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvaçãodo mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago - Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148

terça-feira, 17 de maio de 2011

O primeiro e o actual ou a diferença entre a I e a III República

O primeiro era oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos. O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o. Trabalhou, dando lições de inglês para poder continuar o curso.Formou-se em Direito.

Foi advogado, professor, escritor, político e deputado. Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Foi reitor da Universidade de Coimbra. Foi Procurador-Geral da República.Passou cinquenta anos da sua vida a defender uma sociedade mais justa.

Com 71 anos foi eleito Presidente da República.Disse na tomada de posse: "Estou aqui para servir o país.. Seria incapaz de alguma vez me servir dele..."Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa anexa a este. Pagou a renda da residência oficial e todo o mobiliário do seu bolso.Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado. Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez questão de o pagar também do seu bolso.

Este SENHOR era Manuel de Arriaga e foi o primeiro Presidente da República Portuguesa.


O segundo foi o homem que escreveu no 'Expresso' uns artigos sob o título 'O Monstro' que, segundo o próprio, alertavam para o risco de Portugal chegar à situação em que estamos. O homem que, na última vez em que o FMI esteve em Portugal, em 1983 fazia a rodagem do carro para a Figueira da Foz. Numa altura em que a causa remota da vinda do FMI foi a decisão de revalorizar o escudo. O homem que sucedeu ao governo do bloco central, governando em tempo de falsas vacas gordas, à custa da adesão à CEE, do reequilíbrio das contas externas e da imensidão dos fundos comunitários.

Quando já era primeiro-ministro, ao longo do seu consulado, definharam os sectores produtivos, sobretudo o agrícola, soçobrando face à competitividade da agricultura europeia à custa de "envenenadas" indemnizações compensatórias. Ele é o pai da economia liberal, dos negócios especulativos de acções cujo exponente máximo é o 'caso BPN', de inaugurações faustosas de obras públicas em vésperas de eleições. Com ele começou a invasão do Estado por milhares de boys, o criador do país das oportunidades/oportunistas.

Ele é o pai do triste episódio do assessor que inventou escutas numa página triste na história da instituição Presidência da República.Ele é inatacável e intocável. O acima de toda a crítica. O que defende o PEC ...para os outros. O que se queixou que a esposa ganha 800 euros de reforma. O mesmo homem do leme que, quando confrontado pelo facto de umas acções do grupo BPN/SLN que havia adquirido haverem valorizado cerca de 150% respondeu qualquer coisa do género 'Nessa altura não desempenhava quaisquer funções públicas'. O mesmo que amparou, noutras funções, o assessor das escutas. Os seus não são afastados. Quando muito, caem de maduros.

Lembram-se da sisa de Cadilhe (finais da década de 80)? Ele defendeu-o. Do sangue de Leonor Beleza (1985/86), defendeu-a até ao fim.Do recente escândalo BPN quando já era insustentável a presença do conselheiro Dias Loureiro no Conselho de Estado. Amparou-o até ao limite.Lembram-se quando atacou o Governo do seu próprio partido, encabeçado por Santana Lopes, com a história da boa e má moeda, favorecendo, assim, o PS de José Sócrates (2004).

Recordam-se, quando, na sequência destes ataques (feitos em 2004) Alberto João Jardim se referiu a ele como "sr.Silva"? Logo a seguir, como candidato a Belém, veio à Madeira (2005) beijar a mão que o atacou, pois precisava do voto dos madeirenses, não fosse o Diabo tecê-las, não ganhar à primeira volta e suceder-lhe o mesmo que a Freitas do Amaral em 1986? E por falar em Freitas do Amaral?

Lembram-se de Aníbal o ter apoiado em 1985/86 e depois se ter recusado a pagar a parte que cabia ao PSD (por ele liderado) nas dívidas de campanha, que depois o candidato pagou, com pareceres que foi elaborando ao longo dos anos seguintes?

Esse senhor é Aníbal Cavaco Silva. Esse homem político que tenta passar a mensagem que não é político mas foi o cidadão que mais tempo ocupou o cargo de primeiro-ministro (1985-2005). Depois de ter sido Ministro das Finanças (1979/80). E agora presidente na III República.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Eufemismos linguísticos...

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar 'afro-americanos' aos pretos (sem qualquer conotação racista), com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado! As 'criadas' dos anos 70 passaram a 'empregadas domésticas' e preparam-se para receber a menção de 'auxiliares de apoio doméstico'.

Extinguiram-se nas escolas os 'contínuos' que passaram a 'auxiliares da acção educativa'. Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por 'delegados de informação médica'. Os caixeiros-viajantes são 'técnicos de vendas'.

O aborto eufemizou-se em 'interrupção voluntária da gravidez'; os operários são agora 'colaboradores';as fábricas, vistas de dentro, são 'unidades produtivas'e vistas de fora são 'centros de decisão nacionais'.

O analfabetismo desapareceu, cedendo o passo à 'iliteracia'. Desapareceram dos comboios e navios as 1.ª e 2.ª classes mas continuam a cobrar-se preços distintos nas classes 'Conforto' e 'Turística'. Ser mãe solteira, com os novos tempos, passou a 'família monoparental'. Já não há crianças 'terríveis'; diz-se modernamente que têm um 'comportamento disfuncional hiperactivo'.

Os 'cegos' -palavra desagradável e aviltante- passou a 'invisual' (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o 'politicamente correcto' marimba-se para as regras gramaticais...)

As 'putas' passaram a ser 'senhoras de alterne' e 'garotas de programa'. Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em 'implementações', 'posturas pró-activas', 'políticas fracturantes', 'alavancar' e outros barbarismos da linguagem.

Os tradicionais "anões" estão em vias de passar a 'cidadãos verticalmente desfavorecidos'. O 'mongolismo' passou a designar-se 'síndroma do cromossoma 21'. O autismo foi banido da Assembleia da República. Os gordos e os magros passaram a ser pessoas com disfunção alimentar. Os gordos obesos e os magros anoréxicos,

Os que fazem desfalques não são ladrões mas cidadãos que incorrem no crime de 'peculato'. O conceito de corrupção organizada foi substituído pela palavra "sistema".E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a 'correcção política' e o novo-riquismo linguístico. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma 'politicamente correcta'.

sábado, 14 de maio de 2011

Tão actual!!! Sempre a classe média...

Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV:
Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço…

Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado… o Estado, esse, é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se…
Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: Criam-se outros…

Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: Sim, é impossível…

Colbert: E então os ricos?

Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: Então como havemos de fazer?

Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos… É um reservatório inesgotável…."

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Lusíadas, lusitanos e povo enganado...

I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas.
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III
Falem da crise portuguesa todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano.
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV
E vós, ninfas da Atlântida onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

Sinais de loucura...

Há sinais de loucura quando:

1. Envias um e-mail ou usas o Messenger ou o Facebook para conversar com a pessoa que trabalha na mesa ao teu lado;

2. Usas o telemóvel na garagem de casa para pedir a alguém que te ajude a levar as compras;

3. Esquecendo o telemóvel em casa (coisa que não tinhas há 15 anos atrás), ficas apavorado e voltas para buscá-lo;4.

Levantas-te pela manhã e quase que ligas o computador antes de tomar o café;

5. Conheces o significado de tb, qd, cmg, mm, dps, k, ...;

6. Não sabes o preço de um envelope comum;

7. A maioria das piadas que conheces, recebeste por e-mail (e ainda por cima ris sozinho...);

8. Dizes o nome da tua empresa quando atendes ao telefone em tua própria casa (ou até mesmo o telemóvel!!);

Digitas o '0' para telefonar de tua casa;

10. Vais para o trabalho quando está a amanhecer, voltas para casa quando anoitece;

11. Quando o teu computador pára de funcionar, parece que foi o teu coração que parou;

11. Estás a ler esta lista e a concordar com a cabeça e sorrir;

12. Estás a concordar tão interessado na leitura que nem reparaste que a lista não tem o número 9;

13. Retornaste à lista para verificar se era verdade que faltava o número 9 e nem viste que há dois números 11;

14. E AGORA ESTÁS A RIR DE TI MESMO!!!