terça-feira, 30 de junho de 2009

Memórias: Palavras que aprendi desde pequeno (N e O)

-Nabo: Tubérculo muito cultivada nas hortas madeirenses por causa das suas raízes alimentares. Existe o branco e o roxo. É também comum designar-se de 'nabo' quem não tem jeito para nada.
-Não-me-deixes: Planta muito cultivada nos jardins da Madeira e cujas flores variam muito de cor.
-Nespereira/Nêspera: Árvore introduzida na Madeira em 1846 ou 1847. Frutifica de Fevereiro até Junho e é oriunda do Japão. Os frutos carnudos e acerbos, antes da colheita, são açucarados e saborosos.
-Nogueira: Árvore originaria da Europa austro-oriental e da Ásia, e produz frutos a princípio verdes e depois negros, com o caroço (noz) sulcado. A amêndoa é a parte comestível destes frutos. A madeira da nogueira é muito procurada para certas obras de luxo, e a casca da árvore fornece uma tintura castanho-escura. O chá das folhas e da parte externa dos frutos (epicarpo e parte do mesocarpo) emprega-se internamente para purificar o sangue.
-Novelos: Planta muito cultivada no Monte, Santana, Camacha e em diversas outras localidades da ilha. Tem flores azuis ou rosadas, geralmente estéreis, dispostas em corimbos amplos.
-Orquídeas: Planta ornamental. Na haste repetem-se pequenas flores purpúreas e inodoras, reunidas em espigas ás vezes alongadas. Cultiva-se, sobretudo, em cântaros.
-Orvalho: É o vapor de água que se depõe em pequeníssimas gotas sobre a terra e as plantas em virtude do resfriamento produzido pela irradiação nocturna. Os madeirenses chamam sereno ao orvalho, reservando este último nome para designar a chuva miúda.
-Oregãos: Planta indígena, muito frequente na Madeira. Tem cheiro e sabor agradáveis, e flores reunidas em espigas. É usada nas cozinhas e pode substituir a manjerona.
-Ouriços do Mar: Existem diversas espécies. Vivem em abundância nos charcos perto da costa, não sendo aproveitados porém como alimento.

Cumprimentar com chapéu alheio

Quem é o governante que faz 'show off' com medidas do 'Simplex'? Medidas que não são projectos regionais mas nacionais embora com as devidas adaptações.
É o caso do Balcão das Heranças, serviço em atendimento único que permite realizar todas as operações e actos relacionados com a sucessão por morte, como partilhar os bens do falecido entre os herdeiros, pagar os impostos devidos ou pedir ou realizar ou realizar todos os registos dos bens partilhados.
É o caso do Balcão Divórcio com Partilha, serviço em atendimento único que permite que, nos divórcios por mútuo consentimento realizados nas conservatórias do registo civil, se possam partilhar os bens do casal e realizar todas as formalidades envolvidas como partilhar os bens do casal, pagar os impostos devidos ou pedir ou realizar ou realizar todos os registos dos bens partilhados.
Foi o caso do 'Casa Pronta', 'Empresa na hora', 'Cartão de cidadão', etc...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vai ser uma tourada em São Vicente

Eis a canção de Fernando Tordo: Tourada
"Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano as esperas.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
Entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais são tretas.
Entram vacas depois dos forcados que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera estamos na praça da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente que dá lucro aos milhões.
E diz o inteligente que acabaram as canções.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Memórias: Palavras que aprendi desde pequeno (M)

-Maçarico: É nome de planta mas é também nome de um aparelho a petróleo que serve para chamuscar porcos.
-Macela: planta muito cultivada, sobretudo na Camacha. O chá dos seus capítulos é estimulante e tónico, podendo servir externamente para combater certas inflamações dos olhos.
-Madre de Louro: Espécie de 'barbas'que aparece com frequência nos troncos dos velhos loureiros. Pode atingir 20 centímetros de comprido e é produzida por um fungo. Associada à aguardente, constitui um hemostático muito usado na Madeira, sendo também empregue como hemenagogo.
-Mangerona/orégãos: Erva aromática de uso culinário. Também é conhecida pelo nome de orégãos.
-Manilha: A medição das águas fazia-se outrora por manilhas, anéis e penas, contando cada manilha 16 anéis e cada anel oito penas. A manilha é uma medida pouco usada hoje. Serve para designar as tubagens (feitas de betão ou lusolite) que atravessam as estradas.
-Manta: Ave da família Falconida, que se encontra principalmente na região alta da Madeira e que contrói os seus ninhos nas rochas, sobre os loureiros, etc..
-Maracujá: Existem de várias espécies. A primeira espécie (maracujá amarelo ou inglês) e a segunda (maracujá roxo) são as mais apreciadas na ilha. Diz-se que o sumo dos frutos é útil no tratamento das moléstias cancerosas.
-Marmeleiro: Arbusto cultivado na Madeira, onde os seus frutos são muito procurados para a preparação da marmelada. 0 sumo do marmelo é útil das diarreias, e o chã das sementes pode ser usada contra a tosse.
-Massaroca: Muito cultivada na Madeira. Para além de dar milho, pode ser cozinha inteira, na sopa, juntamente com as semilhas ou na brasa.
-Mau olhado: conotado com a inveja e com o poder de fazer mal aos outros através do olhar.
-Melro Preto: Ave indígena da Madeira e que faz os seus ninhos sobre as árvores de pequeno porte. A postura tem lugar geralmente em Maio e Junho. Os machos têm um canto forte e agradável. O melro preto apresenta algumas vezes manchas brancas.
-Moleirinha: Zona sensível no crânio das crianças e que não se deve forçar sob pena de causar mazelas.
-Morangueiro: Alguns nascem de forma espontânea. Os morangos produzidos nas hortas são grandes e muito estimados; os das montanhas são pequenos mas saborosos. Os rizomas do morangueiro são usados em chá contra icterícia.
-Morcegos: Mamíferos que voa. Os morcegos são animais insectívoros e que só aparecem durante a noite, passando os dias escondidos em lugares escuros (grutas, concavidades), suspensos pelos membros posteriores.
-Moreias: Conhecem-se na Madeira a moreia pintada, manchada de amarelo, a moreia serpente, também com manchas amarelas, e a moreia preta. A primeira destas espécies vive nos baixos fundos; a segunda e a terceira, junto da costa.
-Morgado: Para além da instituição/cargo, o termo designa todos aqueles que são abastados.
-Moscas: Há várias espécies. A mais comum das quais é a Musca doméstica, insecto importuno que vive principalmente nas habitações e suas proximidades. A mosca varejeira também é comum, e as moscas verdes aparecem nas árvores, nos dejectos dos homens e animais etc.. É uma mosca que, depondo os ovos sob a pele do gado bovino, provoca pelas suas larvas os tumores que aparecem com uma certa frequência no gado. As feridas são debeladas por uma mistura de enxofre e azeite/óleo.
-Murganho: Pequeno mamífero roedor muito comum na Madeira. Multiplica-se com grande facilidade e nutre-se de tudo quanto encontra. Rói os soalhos e as portas, e abre ás vezes extensas galerias dentro das casas.
-Musgo: Há 189 espécies de musgos no nosso Arquipélago. A função pela qual me recorda a memória é servir para enfeitar presépios e lapinhas, no Natal.

Memórias: Mau olhado

Publico aqui o que diz o Elucidário Madeirense:
"Ainda hoje é crença vulgar não só nos campos, mas também no Funchal, que há indivíduos dotados do poder de causar doença por meio dos órgãos visuais. Se uma criança começa a emagrecer sem causa conhecida, ou se o porco, a vaca, a ovelha ou a cabra adoecem sem ser de moléstia de fácil verificação, há sempre quem atribua esses males ao mau olhado, já que não é fácil achar para eles melhor explicação.
A árvore que dá bons frutos pode deixar de dá-los em virtude de mau olhado, e até os nossos alimentos não estão isentos dos sortilégios daqueles a quem o demónio concedeu o poder de fazer o mal, sem que a justiça lhes possa exigir responsabilidades.
Ninguém, segundo os crentes, pode fugir do mau olhado, mas curá-lo é coisa fácil, e nem mesmo se exige a presença do doente para que o tratamento dê bom resultado. Basta uma peça do vestuário da pessoa atacada, ou outro qualquer objecto que tocasse nesta, para que a curandeira proceda ao tratamento, com absoluta certeza de êxito.
Para verificar se uma pessoa está afectada de mau olhado, deita-se um pingo de azeite em agua; se o azeite alastra, é porque há o mau olhado, se se conserva unido, é porque ele não existe.
Reconhecida a existência do mau olhado, repete-se a experiência tantas vezes quantas forem necessárias para se conseguir que o azeite não alastre ao cair na agua. Logo que se alcança este resultado, está o doente curado. 0 tratamento pode durar ás vezes oito dias, não devendo a agua que serve num dia, ser utilizada nas experiências imediatas.
A curandeira profere as palavras seguintes, de cada vez que procede ao tratamento: Eu te curo em nome de Deus e da Virgem Maria; se te deram (o mau olhado) no comer, ou no beber, ou no rir, ou no zombar, ou na tua formosura, ou no teu andar, quem to deu nunca mais to torne a dar, e saia deste corpo e vá para o mar.
A crença no mau olhado é uma das poucas abusões que o progresso e a civilização não conseguiram destruir ainda entre nós. Tão arreigada está ela no animo das pessoas simples dos nossos campos, que não há conselhos nem advertências que as façam reconhecer o que há de ridículo e burlesco nos meios de que se servem as curandeiras para anular os supostos malefícios causados por certas criaturas aos seus semelhantes.
Os chifres que se vêm frequentes vezes sobre os chiqueiros, são colocados aí pelos donos dos suínos para obstar a que estes sejam influenciados pelo mau olhado ou pelo ar mau! Nos barcos de pesca também se guardam por vezes algumas pontas de boi para que o mau olhado não afugente o peixe, especialmente o atum e espécies vizinhas."

terça-feira, 23 de junho de 2009

Mais um excelente artigo

Milagre,
por Mário Crespo

Esta coisa da humildade está a dar resultado. Os comentaristas comentam, os analistas analisam, os entrevistadores entrevistam e?nem uma palavra sobre o Freeport. O choque e espanto causado ao país pela súbita decisão do primeiro-ministro de passar a ser humilde ofuscou para planos remotos todas as outras questões definidoras de carácter em que ele está envolvido.
Que interessa o Freeport e Lopes da Mota, a licenciatura e as casas compradas a offshore, os primos e o DVD, quando temos em mão um prodígio que rivaliza com as aparições mais miraculosas? Sócrates teve agora a sua epifania. Foi preciso o pior resultado eleitoral na história do PS para a revelar, mas aí está. Morreu o Animal Feroz, viva o Animal Domesticado. Aleluia, que nasceu o novo homem, doce, cordato, simpático, sereno. "Hossana" grita o país em coro, maravilhado com o testemunho de humildade franciscana que agora transborda das suas comunicações e que, qual aura de beatitude, se está a alastrar, comunicando-se a fiéis e a infiéis, a jornalistas e políticos. Santos Silva, Silva Pereira e Luís Paixão Martins olham-no embevecidos e murmuram: "É tão humilde, não é?".
Do sector privado ao público, do gentio da fértil OTA aos nómadas de Alcochete, todos dão graças como no "Sermão da montanha"; "Bem-aventurados os mansos pois herdarão a terra" ouve-se em coro quando o povo sobressaltado vê que o Animal Feroz partiu e em seu lugar serpenteia a mansidão dialogante. Estava tudo previsto. Foi inspiração súbita que levou os técnicos da assessoria de imagem a ter o ímpeto de correr para o Antigo Testamento e parar, siderados, em Isaías 65:25 onde se lê claramente: "E o lobo e o cordeiro pastarão juntos (em longas entrevistas, subentende-se) e o leão comerá palha como o jumento e (subentende-se) não haverá mais cenas embaraçosas".
Nem no Parlamento. Nem à saída da Comissão Política. Nem quando o mais humilde dos repórteres abordar o novo José Sócrates e lhe perguntar se o haver mais um arguido no seu staff próximo é mau para ele, e o novo Sócrates, sorrindo docemente, responder: "Desculpe. Ser arguido é bom. Eu acho que todo o meu staff devia ser arguido." De facto, a diferença é tão abissal que já nem precisamos de eleições. Já mudámos de governante. Ou melhor ainda. O governante mudou-se a si mesmo. Acabou-se o vociferante Orlando Furioso de Ariosto, destruído em autocombustão purificadora entre frémitos coléricos no Parlamento e estertores catárticos em estúdios de TV. Ficou-nos o Orlando Enamorato de Boiardo, suave, sério, intenso e sempre, sempre, terno.
Como é que podemos cometer o sacrilégio de ir buscar as turvas águas do sapal de Alcochete para enlamear o renascimento? Os vendilhões já foram escorraçados do templo. Fica-nos a nova era e a nova imagem que vai ser construída por santos profetas milagreiros, que já produziram santos milagres em África, onde Santos, em poucos dias e alguns milhões de petrodólares e gemas de sangue, passou de ditador a santificado líder eleito. Se conseguiram fazer isto, convencendo os africanos junto ao Equador que era preciso usar um grosso cachecol de lã com as cores do MPLA em pleno Verão Austral, como é que não hão-de convencer os portugueses a quem a fé nunca faltou nesta terra de prodígios?
Ontem foi em Fátima, hoje é na Comissão Política do PS e nas Novas Fronteiras e em Portugal, sempre houve crentes e crédulos.

Memórias: Palavras que aprendi desde pequeno (I e L)

-Inhame: Existem várias espécies mas somente duas existem com maior frequência (inhame branco, e inhame vermelho) e delas são retiradas vantagens para os habitantes. O inhame branco encontra-se nos lugares encharcados; os vermelhos são menos exigentes em humidade, e podem mesmo viver nem lugares secos. O inhame vermelho coze com mais facilidade que o branco. É na Páscoa que são mais consumidos.
-Instrução: No campo é mais frequente referir-se a Educação pela palavra 'Instrução'. Ter educação significa ter boas maneiras.
-Junco: Serve para fazer gaiolas e os caules utilizam-se para atilhos e vencelhos.
-Lagartixa: Pequeno réptil muito frequente na Madeira e que causa grandes estragos nas uvas, tomates, etc.. Em crianças, divertíamos a caçá-las de laço e escupo.
-Lagoa: As originais existem na cratera de um vulcão. Existe uma do género ao chegar ao Fanal e que, nos Invernos mais prolongados se enche de água, formando um pequeno lago. Existe mais abaixo outra lagoa para fins agrícolas e, do outro lado da ribeira, nos Lamaceiros, a lagoa que serve a Central Hidroéléctrica da Ribeira da Janela.
-Laje: Existem duas definições para esta palavra. Uma lage de pedra e 'deitar uma lage' que significa cobrira a casa com cimento/betão.
-Lapas: A lapa branca é a mais comum de quatro espécies. A segunda é a lapa preta, a terceira a lapa pé de burro e a quarta o concharéu. A lapa branca é a que vive em maiores fundos; a lapa pé de barro encontra-se muitas vezes acima da linha da preia-mar e a lapa preta, também chamada das mulheres, fica a descoberto logo que baixa a maré.
-Lapinha: É com este termo que na Madeira se designam os 'presépios', que desde séculos estão entre nós. é uma palavra peculiar da Região. Deve ser o diminutivo de «lapa» com o significado de furna, gruta ou cavidade aberta em um rochedo, por analogia ou semelhança com o local do nascimento do Divino Redentor. As "lapinhas" madeirenses são armadas sobre uma mesa, tendo como centro uma pequena escada de poucos decímetros de altura, de três lanços contíguos, e no topo da qual se coloca a imagem do Menino Jesus.
-Laranjeira: Árvore que produz a laranja. Há as laranjas doces e as azedas. Também conhecidas por toranjas. As folhas e flores de laranjeiras são usadas para chá nas doenças nervosas e nas digestões laboriosas. Da mesma família existem as tangerinas ou laranjas tangerinas. Os ramos tenros e floridos são usados no Domingo de Ramos.
-Leitão: Bácoro dos porcos.
-Leituga: Não sei se por importação do castelhano ou por mérito próprio mas, no campo, dá-se esse nome a algumas espécies de alfaces.
-Lenha: A madeira para queimar usada nas casas é colhida na serra. É de vária espécie desde urze, faia, pinheiro, eucalipto, etc.. Ir à serra buscar lenha para obter o combustível para os usos domésticos faz parte do nosso imaginário etnográfico.
-Lesmas: Moluscos que aparecem nos lugares húmidos ou umbrosos, nas hortas, por entre as ervas, vinhas, etc.. Há uma espécie que vive ordinariamente sob as pedras e os cântaros que é conhecida às vezes pelo nome de lesma, apesar de ser provida de concha.
-Leste: Os madeirenses dão o nome de leste ao vento que sopra do lado da Costa de África e é acompanhado sempre de aumento considerável da temperatura e de um alto grau de secura atmosférica. Quando ele se faz sentir, o sol fica embaciado e o céu apresenta-se completamente limpo de nuvens, o que poucas vezes acontece noutras ocasiões.
-Levadas: Esses cursos de água que eu me dispenso de descrever porque sobejamente conhecidos. Na Ribeira da Janela existe a Levada Nova, Lombo Gordo, Cedros, Baixo e Cima.
-Limoeiro: O sumo dos seus frutos serve para a preparação de limonadas e é útil em certas inflamações da garganta. O limoeiro que produz os limões chamados de galinha, é a variedade ácida da subespécie Limonium.
-Linho: Planta têxtil cultivada em quase todas as freguesias da Madeira. O linho, depois de colhido, é passado pelos dentes do ripanço, afim de perder a baganha, indo depois a curtir para dentro de tanques ou nas águas das ribeiras. Decorrido este prazo, é posto a secar, depois do que é esmagado com um malho. Afim de separar as fibras têxteis da parte lenhosa que a elas adere, vai o linho à gramadeira e depois a tasquinhar, mas é somente no sedeiro, que é uma espécie de pente formado de dentes metálicos fixos sobre uma peça de madeira, que se desenreda e se pode tornar mais delgado o fio, fazendo-se ao mesmo tempo a separação das estopas. Tanto o linho como as estopas são fiados na roca. O fio é depois de ensarilhado, metido no forno ou em barrela, indo depois a corar ao sol. Dobado o fio depois de branqueado pode passar finalmente aos pequenos teares que existem disseminados por vários pontos da ilha e onde termina a série de operações a que o povo acertadamente costuma chamar os tormentos do linho.
-Lombrigas: Esses 'animaizinhos' que se apoderavam do nosso aparelho digestino e que, qual ténias, nos roubavam os alimentos. Conclusão: ficávamos magrinhos.
-Loureiro: Árvore de família das lauráceas, de 6 a 20 metros. Para além do espeto para carne, as folhas são um óptimo tempero e as sementes usadas para azeite de louro.