domingo, 29 de março de 2009

Memórias de infância: A Central




A Central da Ribeira da Janela, obra arquitectónica de Chorão Ramalho, foi a primeira das duas centrais hidroeléctricas construídas na segunda fase do plano hidroagrícola, tendo ficado concluída em 1965.
Esta é a única central em regime de funcionamento permanente que está junto ao mar, na foz da ribeira, não sendo possível o reaproveitamento da água para irrigação, ou para um segundo patamar de produção.
A Central da Ribeira da Janela fica situada na foz da Ribeira da Janela, à cota de cerca de 11 metros.
Esta central utiliza águas conduzidas pelo canal da Ribeira da Janela até uma câmara de acumulação localizada no sítio dos Lamaceiros, sobranceira à foz da ribeira, à cota de cerca de 410 metros.
O canal da Ribeira da Janela apresenta dois troços, um primeiro designado por Levada dos Cedros (de pequena secção transversal), encontrando-se na margem direita da ribeira, tendo a sua origem no Ribeiro Gordo, à cota de 427 metros, apresentando um desenvolvimento de 2,800 metros (115 metros em túneis), até ao travessão situado no leito da ribeira, sendo aí que se faz a ligação com o segundo troço.
O canal da Ribeira da Janela (segundo troço) está implantado na margem esquerda da referida ribeira, onde se desenvolve, captando águas do seu leito, no citado travessão, estabelecido à cota 423 metros, na confluência com a Ribeira do Remal.
A partir daí, recebe todas as escorrências até à câmara de acumulação, situada no sítio dos Lamaceiros, após um percurso de 11.831 metros, (dos quais 2.738 metros em túneis). A extensão do canal da Ribeira da Janela é assim de 14.631 metros.
A contribuição média anual central é de cerca de 8 GWh.
A Central foi projectada por Raul Chorão Ramalho, personagem marcante na Arquitectura Moderna Portuguesa, com especial destaque para o seu testemunho na Região Autónoma da Madeira.
Entre outras obras de vulto destaque-se o edifício da 'Caixa', no Funchal, a Capela do Cemitério das Angústias, a Casa Homem da Costa, no Caniçal, a Moradia Bianchi e o Hotel Quinta do Sol, no Funchal, a reconstrução da Alfândega para albergar a Assembleia Regional, o edifício sede da EEM e outras centrais hidroeléctricas (Serra de Água, Nogueira, Calheta...).
São também da sua pena os projectos do restaurante Caravela, os balneários da praia, no Porto Santo, e, também na "Ilha Dourada", a escola primária.
Chorão Ramalho nasceu em 1914, no Fundão, e faleceu a 9 de Janeiro de 2002, aos 88 anos de idade.
Raul Chorão Ramalho nasceu estudou nas Escolas de Belas Artes de Lisboa e do Porto, trabalhou na área do urbanismo em instituições oficiais (actividade que abandonou em 1950) e, durante décadas e décadas, dedicou-se à arquitectura em regime de quase total exclusividade.
Em 1994, foi nomeado membro honorário da Associação dos Arquitectos Portugueses.
Recordo-me dos tempos de infância em que era comum os habitantes da freguesia (eu também) tirarem areia do calhau. Entre banhos na 'lagoa' em frente à central (também havia patos) e a contribuição para um monte de areia ia um passo.
Eram verdadeiras peripécias as aventuras de um 'canter' de areia a querer sair do calhau sem ficar atolado.
Outros tempos...

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